Boêmio, mulherengo, liberal e ao mesmo tempo com traços de autoritarismo.
Reverenciado por muitos como um grande imperador e por outros como um problema para a nação.
Dom Pedro nasce em Portugal no dia 12 de outubro de 1798 e chega ao Brasil em 22 de janeiro de 1808, com sua família e todo um aparato real, após a "fuga" de Napoleão, que vinha tomando a Europa e esmagando todos aqueles que tinha os ingleses como aliados.
A princípio, Dom Pedro era só um jovem impetuoso, não se importando com seu status quo, relacionando-se com escravos e criados. Não possuía muito apego pelos estudos ou pela vida pública, sendo encontrado diversas vezes bêbado pela rua.
Gostava da vida boêmia, de mulheres, amava a música sendo considerado um grande compositor.
Seu pai, Dom João, governava Portugal como príncipe regente, após a loucura de sua mãe. Embora alguns menosprezam dom João, ele era perspicaz, agindo de forma estratégica em momentos importantes, como na própria fuga de Portugal, onde para preservar a liberdade política transfere a corte para o Brasil, trazendo consigo todo o aparato real e fortalecendo as relações com os ingleses.
Mas esse não é o foco desse texto, o que importa aqui é que Dom João tentava trazer seu filho para a política, querendo que ele se comportasse como um verdadeiro príncipe, mas era um trabalho duro.
Em 1817, ele se casa com Leopoldina da Austria em um casamento estratégico, mas uma prova da perspicácia de D. João, que buscava o apoio de Francisco I imperador da Áustria, que possuía grande influência na Santa Aliança, que havia derrubado Napoleão Bonaparte.
No entanto, D.Pedro não era o marido dos sonhos, mantendo várias amantes, inclusive a mais famosa de todas a Marquesa de Santos.
Leopoldina foi de extrema importância para o processo de independência que iria ocorrer anos depois. Ela era uma mulher estudada, com grandes conhecimentos acerca da política e de grandes estudiosos da época.
A corte portuguesa estava se firmando no Brasil, constituindo famílias e adquirindo propriedades. D. João VI logo promove a colônia a Reino Unido de Portugal, fato que desagradou parte dos portugueses que permaneceram em sua terra natal.
Com a derrota de Napoleão Bonaparte, os portugueses passam a exigir o retorno imediato de D. João a Portugal, sob ameaça de golpe.
D. João então decidi retornar, deixando D. Pedro como príncipe regente no Brasil, o que não agradou os portugueses, que desejavam o rebaixamento do Brasil a uma mera colônia novamente.
Com o passar do tempo, D. Pedro aliado as elites brasileiras, tomam decisões que desagradam D. João e os portugueses, que passam a exigir o retorno do príncipe a Portugal.
Uma série de coisas foram acontecendo, como o famoso "Dia do Fico" em janeiro de 1822, onde D. Pedro declara ficar no Brasil para o bem de todos. Mas isso em partes ocorre por pressão das elites brasileiras que desejavam a independência do Brasil, prometendo a coroa a D. Pedro.
Os ingleses também desejavam tal independência, fato que aumentaria suas influências dentro do país.
Eis então que no dia 07 de setembro de 1822, apoiado pela elite brasileira, as margens do Ipiranga, D. Pedro declara o Brasil independente.
Não foi tudo as mil maravilhas, diversas revoltas ocorreram nos anos que se sucederam e uma indenização foi paga a Portugal, para se concretizar tal independência, o dinheiro dessa indenização saiu de um empréstimo tomado com os ingleses. Surgindo aí a primeira dívida externa do Brasil.
D. Pedro assumi o poder como um imperador com ideias liberais, o que agradava a elite brasileira. No entanto logo fica claro que os ideais do imperador eram outros.
Uma Assembleia Constituinte é convocada para redigir a primeira constituição do Brasil, com grandes influenciadores como José Bonifácio. Essa primeira desagrada D. Pedro, que não aceitou ter o poder enfraquecido pela constituição, mostrando aí seu autoritarismo, destituindo a Assembleia e não aceitando a constituição.
Em 1824, ajudado por um grupo de pessoas de sua confiança, D. Pedro redige a nova Constituição, que além dos três poderes previstos, lançava um quarto poder, o poder moderador, que daria o direito de anular qualquer decisão dos outros poderes, e destituir a Assembleia sempre que necessário.
D. Pedro I deixava claro aí, que suas ideias liberais não se aplicava no seu governo, que seguia por ideias autoritárias, que desagradou toda a elite que o havia apoiado.
Os anos que se sucede é marcado por muita insatisfação e revoltas, D. Pedro I faz uma série de viagens afim de apaziguar os ânimos da nação.
Nesse tempo, Dona Leopoldina morre, deixando a população entristecida e sem saber os próximos passos do imperador. Muitos acreditavam que D. Pedro se casaria com sua amante Domentilha de Castro, no entanto todos foram surpreendidos quando ele buscou a nova esposa dentre a realeza européia.
Em 1829, casou-se com d. Amélia de Leuchtenberg, princesa da Baviera. Desse casamento, nasceu uma filha, chamada Maria Amélia. E quanto a sua amante, D. Pedro se afasta dela, indo contra ao que todos pensavam.
d. Amélia de Leuchtenberg, princesa da BavieraEm Portugal, seu pai D. João VI falece aos 59 anos, deixando o trono vago, que D. Pedro abdica em favor de sua filha, que se casaria com seu irmão D. Miguel, que deveria tomar conta do poder até que sua filha atingisse a maioridade.
D. Miguel chega a Portugal descumprindo o trato com D. Pedro, dando um golpe, tomando para si o trono, instituindo uma monarquia absolutista.
Dom MiguelD. Pedro entra em conflito diplomático com seu irmão, aumentando a insatisfação da elite brasileira, que acusava o imperador de se importar mais com os assuntos portugueses do que com os do Brasil.
Com o a grande impopularidade, em março de 1831, sob fortes pressões, D. Pedro I abdica do trono brasileiro em favor do seu Filho, Pedro de Alcântara, iniciando assim o período regencial que duraria até que o príncipe se tornasse de maior.
Pedro II aos 15 anos em pintura oficial - Wikimedia CommonsD. Pedro primeiro parte para Portugal, para recuperar o trono português pertencente a sua filha D. Maria II. Novamente mostrando sua face liberal, liderando um exército contra uma monarquia absolutista. Irônico não?
Caricatura representando D. Pedro IV e D. Miguel disputando a coroa portuguesa, por Honoré Daumier, 1833.O conflito termina com a vitória de D. Pedro no comando dos liberais, e seu irmão é extraditado.
Em 1834, D. Pedro morre decorrente de uma tuberculose adquirida durante o conflito.
Ilustração do momento da morte de Dom Pedro I / Crédito: Wikimedia Commons
Essa é uma breve história de D. Pedro I, um homem peculiar e controverso. Não foi um bom imperador, mas tornou o Brasil independente, muito embora esse fato fosse por vontade de uma elite já consolidada no Brasil. No entanto viram na figura dele o homem que seria o líder da nação, com ideais liberais que logo foram jogados para baixo do tapete.
É preciso mais que algumas palavras para contar toda a trajetória controversa e intrigante de De. Pedro, mas deixo aqui minha contribuição para esse pedaço da história de nosso país.
Prof Thiago Brasil
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